
Passei a última semana no Guarujá, como estou cada vez mais sossegado e tiozão, ao invés de ficar indo à R. Rio de Janeiro pra ver molecada de 14 anos se embebedando com 2 copos de cerveja, comprei um livro e resolvi lê-lo quando estivesse entediado.
Na real, eu sempre gostei de ler, mas a faculdade me impede muito, parece que fico sendo surrado com Kotler's e Porter's durante todo o semestre.
Enfim, o livro é uma ficção de S. G. Browne, chama-se Desastre. Nele, cada coisa abstrata, sentimento ou pecado é personificado em anjos, que vagam pelo mundo em que vivemos com super poderes. Ok, eu sei, meio estranho a princípio. Tem a Gula, que é um gordo morto de fome, a Preguiça que se personifica como um maconeiro, e por aí vai.
O personagem principal é o Fado, ele cuida das pessoas que estão Fadadas a algo, que na maioria das vezes é algo muito ruim. Ele não pode interferir na vida delas, mas quando descobre que é possível, ele acaba sendo seduzido a interferir pelo bem da humanidade. O livro traz a tona sentimentos, dúvidas e costumes do ser humano, e faz você pensar "Porra, será que eu sou assim" (Depois de muito pensar, sim... somos muito parecidos em alguns aspectos no final das contas).
Vale a pena, eu gostei muito (apesar do final ser um pouco fraco).
Mas, como me disseram, o final nem sempre é o que importa.
Segue abaixo uma passagem do livro que não é nada spoiler e eu acho interessantíssimo compartilhá-la com qualquer ser humano interessado.
"Todo ser humano tem uma escolha.
Eles podem escolher felicidade ou podem escolher sofrimento. Eles podem escolher o perdão ou podem escolher o ressentimento. Eles podem escolher o amor ou escolher a raiva.
Não há absolutos. Cada situação requer uma escolha. E cada humano escolhe como ele ou ela quer reagir. Mas, inúmeras vezes, os humanos escolhem sofrer. Inúmeras vezes, escolhem não perdoar. Inúmeras vezes, escolhem a raiva. Sei que Jerry [O apelido dado a Deus no livro] me pediu para deixar de interferir, mas eu atravessei uma porta que se fechou e foi trancada atrás de mim. Não posso ignorar mais meus humanos desafiados pelas escolhas"
Ah, e logo na capa, está escrito "O amor não é uma escolha, é um desastre".
Se você for um pouco mais perceptivo, vai perceber que isso não é uma frase que ridiculariza o amor, mas o compara a um desastre. Não dizendo que o amor pode ser desastroso, mas como os desastres, ele é inevitável, você não tem escolha.
Peace